#2 Veja as estatísticas da pandemia no mundo

Com reabertura em muitas regiões do mundo, como estão os números da COVID?


Por Manuel Vieira Siqueira de Arantes

Há duas semanas, no dia 26 de maio, publiquei aqui informações sobre a COVID-19 em alguns países do mundo, calculando o número de casos por 100 mil habitantes e a porcentagem da população infectada, trazendo também algumas notícias sobre cada país. 

Hoje, dando continuidade a essa série de dados, incluí mais alguns países na lista e calculei mais algumas variáveis, como o crescimento do número de casos em relação ao dia 26 de maio, e também a taxa de mortalidade da doença em cada país. 

Assim como naquele post, a publicação de hoje é de teor informativo. A minha opinião é dada num tópico separado, no final do texto.


Dados


1 Escandinávia


1.1 Dinamarca
O país passa por reabertura após uma quarentena bem sucedida. As escolas e creches já estão funcionando. É estudada a possibilidade de reabrir as fronteiras com países europeus para incentivar o turismo, setor que foi muito afeitado durante a quarentena. Mesmo com a reabertura, o país por enquanto não vê o número de casos subir de forma rápida. Foram apenas 14 casos confirmados nas últimas 24 horas.

População (em milhões): 5,806
Casos: 11962 (0,206% da população)
Mortes: 593 (10,2 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 4,96
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 5,05%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 5,33%




1.2 Noruega
Outro país que passou por quarentena bem sucedida é a Noruega. O país vem relaxando as medidas de quarentena gradualmente, mas a premiê Erna Solberg afirmou que não aceitará estrangeiros no país, a não ser que estejam viajando a trabalho, e também não está inclinada a deixar que os noruegueses viagem para o exterior. 

População (em milhões): 5,368

Casos: 8563 (0,16% da população)
Mortes: 239 (4,4 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 2,79
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 2,38%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 1,7%


1.3 Suécia
Com as medidas menos rigorosas de quarentena da Escandinávia, a Suécia possui o maior número de casos na região. O epidemiologista sueco Anders Tegnell, responsável pelo plano do país contra a COVID, disse em entrevista a uma rádio sueca que não teria repetido o que fez quanto ao vírus, mas que teria procurado um meio termo entre o que a Suécia fez e o que a maioria dos países vem fazendo.

População (em milhões): 10,23
Casos: 45133 (0,441% da população)
Mortes: 4694 (45,8 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 10,4%
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 31,05%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 13,82%



1.4 Finlândia
Com sucesso na quarentena, a Finlândia abriu escolas em meados de maio e caminha para uma total reabertura. Quanto às fronteiras, o país, assim como seus vizinhos, teme que a Suécia possa prejudicar um retorno à atividade turística, por ser o país com maior número de casos da região.

População (em milhões): 5,518
Casos: 7025 (0,127% da população)
Mortes: 324 (5,9 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 4,61
Variação do número de casos em relação ao dia 3 de junho: 1,65%
Variação do número de mortes em relação ao dia 3 de junho: 1,25%



2 Europa


2.1 Alemanha
Tendo superado, num primeiro momento, a crise sanitária, a Alemanha agora convive com uma grave crise econômica. A chanceler alemã, Angela Merkel, divulgou um pacote de estímulo à economia com aporte de 130 bilhões de euros. Esse plano se soma a um pacote aprovado em março que previa o gasto de 156 bilhões de euros.

População (em milhões): 83,02
Casos: 186240 (0,224% da população)
Mortes: 8801 (10,6 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 4,73
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 3%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 4,38%



2.2 Itália
Com novo foco do vírus em Roma, a Itália vê crescerem novamente os números de infectados e de mortos. O país está em processo de reabertura completa. Nesta segunda-feira (8), o país registrou mais 280 casos e 65 mortes, números muito menores do que aqueles registrados no momento do pico e menores do que a média da semana anterior. 

População (em milhões): 60,36
Casos: 235278 (0,39% da população)
Mortes: 33964 (56,3 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 14,44
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 2,22%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 3,31%


2.3 Reino Unido
Convivendo com o problema da subnotificação, a região pode estar chegando às 50 mil mortes em dados não oficiais. Contudo, iniciando agora um processo de reabertura, o Reino Unido registrou o menor número de novos casos e mortes desde 23 de março, quando começou o lockdown. Foram aprovadas novas leis que punem quem infringir as medidas de distanciamento social.

População (em milhões): 66,65
Casos: 287399 (0,43% da população)
Mortes: 40597 (60,9 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 14,13%
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 10,04%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 9,98%


2.4 França
Anteontem (7), o país registrava o menor número de novos casos e mortes de COVID-19 desde 14 de março. Em fase 2 de reabertura, restaurantes e bares voltaram a funcionar, mas com algumas restrições.

População (em milhões): 66,99
Casos: 154188 (0,23% da população)
Mortes: 29209 (43,6 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 18,94% dos casos
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 6,13%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 2,73%


2.5 Espanha
Em meio a um grande surto, a Espanha havia estabelecido a quarentena em março. Agora, com um ritmo mais lento de contaminação, já são reabertas escolas e casas noturnas no país, mas com restrições.

População (em milhões): 46,94
Casos: 241717 (0,515% da população)
Mortes: 27136 (57,8 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 11,23%
Variação do número de casos em relação ao dia 3 de junho: 0,74%
Variação do número de mortes em relação ao dia 3 de junho: 0,03%



2.6 Portugal
Tendo iniciado em junho a terceira fase da reabertura, o país esteve em quarentena durante meses. Um novo foco em Lisboa foi verificado, mas isso não parece ter prejudicado muito o processo de reabertura, que continua.

População (em milhões): 10,28
Casos: 34885 (0,34% da população)
Mortes: 1485 (14,4 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 4,26%
Variação do número de casos em relação ao dia 3 de junho: 6,05%
Variação do número de mortes em relação ao dia 3 de junho: 3,41%


3 América do Norte


3.1 Estados Unidos 
O país chegou hoje (9), ao total de 2 milhões de casos, tendo também ultrapassado a marca de 100 mil mortes. Porém, mesmo com uma situação ruim, o presidente Donald Trump tem optado pela reabertura. O país aposta no desenvolvimento da vacina, que vem tendo resultados positivos nos testes.

População (em milhões): 328,2
Casos: 2001334 (0,61% da população)
Mortes: 112597 (34,3 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 5,63
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 17,88%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 13,2%


3.2 Canadá
Assim como os EUA, o Canadá procura o desenvolvimento da vacina, que será testada em humanos com acompanhamento de 6 meses.

População (em milhões): 37,59
Casos: 96244 (0,25% da população)
Mortes: 7835 (20,8 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 8,14
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 12,29%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 19,71%


3.3 México
Fisicamente, o país pertence à América Central, mas geopoliticamente podemos dizer que o México se associa à América do Norte. Por isso, aqui optou-se por colocá-lo na América do Norte. O país vem vivenciando uma elevada velocidade de contágio da população. Mesmo assim, a reabertura vem sendo implementada.

População (em milhões): 126,2
Casos: 120102 (0,09% da população)
Mortes: 14053 (11,1 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 11,7
Variação do número de casos em relação ao dia 3 de junho: 23,4%
Variação do número de mortes em relação ao dia 3 de junho: 32,11%



4 América do Sul

4.1 Brasil
A velocidade de contágio tem sido elevada durante as últimas semanas. Além da crise sanitária, o Brasil vem passando por turbulências políticas que abalam a figura do presidente. Ademais, o Ministério da Saúde, sob ordens do presidente, mudou a metodologia de divulgação dos dados para que eles trouxessem menos impacto na opinião pública. A decisão gerou polêmica e provavelmente será desfeita por decisão do STF.

População (em milhões): 209,5
Casos: 710887 (0,34% da população)
Mortes: 37312 (17,8 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 5,25
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 88,73%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 58,63%


4.2 Chile 
O país era um exemplo no combate ao vírus no início do ano, mas em maio as coisas começaram a piorar. 

População (em milhões): 18,73
Casos: 138846 (0,74% da população)
Mortes: 2264 (12,1 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 1,63
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 87,64%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 197,5%


4.3 Argentina
A país enfrentou bem o vírus, mas a velocidade de contágio subiu fortemente nas últimas semanas.

População (em milhões): 44,49
Casos: 23607 (0,05% da população)
Mortes: 693 (1,6 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 2,94
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 87,13%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 48,39%



4.4 Equador
Passando por sérios problemas, o Equador não tem um número absoluto grande de casos e mortos quando comparado a outros países também em situação ruim. Contudo, a falta de infraestrutura torna a situação mais grave, e a subnotificação mascara o real número d ecasos.

População (em milhões): 17,08
Casos: 43378 (0,25% da população)
Mortes: 3642 (21,3 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 8,4%
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 16,12%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 13,71%


5 Ásia

5.1 Japão
A vacinação no país pode começar no primeiro semestre de 2021.

População (em milhões): 126,5
Casos: 17174 (0,01% da população)
Mortes: 916 (0,7 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 5,33
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 3,28%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 7,64%


5.2 Coreia do Sul
Após ter reaberto sua atividade econômica, a Coreia do Sul fechou escolas para tentar conter uma segunda onda de infectados.

População (em milhões): 51,64
Casos: 11852 (0,02% da população)
Mortes: 274 (0,5 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 2,31
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 5,59%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 1,86%


5.3 China
Os dados sobre o país parecem estar estagnados. Enquanto até os países mais bem sucedidos na quarentena vêem as infecções aumentarem, a China segue com o mesmo número de mortos e um número muito parecido de casos.

População (em milhões): 1393
Casos: 83040 (0,006% da população)
Mortes: 4634 (0,3 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 5,58%
Variação do número de casos em relação ao dia 26 de maio: 0,06%
Variação do número de mortes em relação ao dia 26 de maio: 0%


5.4 Rússia
O país pertence tanto á Europa Oriental quanto à Ásia, e aqui optou-se por colocá-la junto aos países asiáticos. A baixa mortalidade levanta suspeitas contra os dados oficiais. Além disso, foi aprovado um medicamente que ainda se encontra em fase de testes em outros países: o Avifavir.

População (em milhões): 144,5
Casos: 485253 (0,33% da população)
Mortes: 6142 (4,3 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 1,27
Variação do número de casos em relação ao dia 3 de junho: 12,26%
Variação do número de mortes em relação ao dia 3 de junho: 17,78%


5.5 Índia
O lockdown no país acabou gerando mortes de pessoas pobres por fome e desidratação. Sem trabalho e sem renda, a camada mais pobre da população sofre com a pandemia.É uma situação bem mais complicada do que a vivenciada em outros países mais ricos.

População (em milhões): 1353
Casos: 266598 (0,02% da população)
Mortes: 7466 (0,6 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 2,8
Variação do número de casos em relação ao dia 3 de junho: 28,41%
Variação do número de mortes em relação ao dia 3 de junho: 28,39%


6 África


6.1 África do Sul
As escolas reabrem no país em meio a controvérsias. A velocidade de contágio não baixa o suficiente para justificar uma reabertura nesse nível.

População (em milhões): 57,78
Casos: 50879 (0,09% da população)
Mortes: 1080 (1,9 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 2,12
Variação do número de casos em relação ao dia 3 de junho: 42,07%
Variação do número de mortes em relação ao dia 3 de junho: 53,19%


7 Oceania


7.1 Nova Zelândia
Exemplo no combate ao vírus, a Nova Zelândia já se considera livre da pandemia. É uma região muito rica e com todas as condições necessárias para o combate ao vírus, mas a postura da população, a rígida quarentena e a firmeza da premiê Jacinda Ardern foram fatores de suma importância. 

População (em milhões): 4,886
Casos: 1154 (0,024% da população)
Mortes: 22 (0,5 para cada 100 mil habitantes)
Taxa de mortalidade (% dos casos): 1,91



Opinião


A partir da análise dos dados, não podemos deixar de perceber que o Brasil avança a passos largos quando falamos em velocidade de contaminação. A quarentena aqui não foi bem feita e vários fatores contribuíram para isso, dentre eles a postura desdenhosa do presidente, a falta de colaboração da população e os problemas de infraestrutura do país. Qualquer um desses três fatores, se isolados, já prejudicariam o combate à pandemia; quando os três fatores se unem, o cenário para o fracasso está montado. Com um líder que vai contra a OMS, o país acaba vivenciando uma grande divisão de ideias entre os apoiadores do governo e a oposição, o que não contribui em nada para o combate ao vírus.

As manifestações realizadas em algumas grandes cidades brasileiras, tanto a favor do governo como aquelas de oposição, configuram-se como atos de extrema irresponsabilidade por parte dos manifestantes. O distanciamento social deve ser respeitado acima de quaisquer discordâncias políticas e ideológicas.

Coronavírus: na contramão do mundo, Brasil flexibiliza quarentena ...
Manifestação de oposição ao governo. A causa é válida, mas a forma como foi feita vai contra todas as recomendações sérias de controle da pandemia. 


Manifestação: Manifestantes participam de carreata pró-Bolsonaro ...
Manifestação bolsonarista em Brasília

Quanto à postura do presidente, vários posts aqui do blog já abordaram o assunto, de modo que farei apenas um apontamento: o desserviço do seu governo à população coloca o Brasil no top 3 dos países mais afetados pela pandemia no mundo, isso era realmente inevitável como ele e seus apoiadores dizem? Países com infraestrutura semelhante à do Brasil conseguiram certo sucesso no controle da pandemia, por que o Brasil não conseguiria?

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