A Pandemia e a dívida pública


Crise da Covid-19 e o aumento da dívida

Victor Roveran Bazzanella

Devido a Covid-19, o mundo está em crise, não só uma crise da saúde, mas também uma crise econômica de proporções catastróficas, totalmente comparável com o desequilíbrio econômico de 2008. A questão em pauta é o aumento da dívida pública, considerando a conjuntura atual, sendo de necessidade extrema o aumento de gastos por parte do governo, para conter o prejuízo social.
                Mas o que o Brasil pode fazer para que o aumento da dívida pública não se torne insustentável e prejudicial em grandes medidas?

Paulo Guedes, Ministro da Economia.

                Segundo o economista Pérsio Arida, ex-presidente do BNDES (1993-1994), ex-presidente do Banco Central (1995) e um dos idealizadores do Plano Real, o problema não é exatamente o aumento da dívida por si só, pois isto é quase que inevitável dado o período de crise. O problema seria se medidas populistas para a tentativa de reeleição em 2020 fossem implementadas com uma “máscara” anticrise, como por exemplo manter o auxílio emergencial após o período de pandemia como uma tentativa de aceleração econômica artificial. Uma tentativa de vender ativos para conter o rombo (como vender empresas estatais), seria em um primeiro momento benéfico, mas que a médio e a longo prazo se tornaria favorável para o aumento da dívida.
                De acordo com o economista, a dívida deve saltar de 75% do PIB de 2019 para 90% do PIB ao final de 2020. Isso se deve por um fator duplo, aumento de gastos e diminuição da receita junto da diminuição do PIB. Frase de Pérsio Arida: “O drama não é o patamar da dívida, mas sim a percepção de que possa estar numa trajetória explosiva. É a perspectiva de um crescimento descontrolado da dívida/PIB que erode a confiança no nosso futuro, afugenta o investimento privado, aumenta a percepção de risco do país e leva à depreciação exagerada da moeda nacional”.
                O caminho então, seria equilibrar as contas públicas, e o primeiro passo seria utilizar o teto de gastos aprovado no governo Temer, e reforçar a lei de responsabilidade fiscal aprovada no governo FHC. Além disso, o governo deveria reduzir parcelas da previdência e salários para abrir espaço no orçamento, sendo que no caso da previdência a reforma já ocorreu, e o reajuste de salários de servidores não irá ocorrer, já dificultando essa manobra.
                Pontos colocados, o fator produtividade deveria virar principal para o controle da dívida pública, já que no âmbito fiscal, a maioria das ações já foram feitas, e no âmbito de controle da dívida em relação aos gastos só depende do governo. A produtividade assim, afetaria no aumento do PIB, o que torna a relação dívida/PIB algo melhor controlado, e assim voltamos no ponto explicitado pelo Pérsio Arida: o tamanho da dívida não importa tanto se sua trajetória demonstrar desaceleração.
                Para que a produtividade seja maior, existem algumas normas que precisam ser colocadas em prática: como a abertura comercial e de serviços de forma unilateral, reforma administrativa radical para o melhor funcionamento do setor público, reforma tributária, um programa de privatizações de envergadura (desestatização pensada), e para longo prazo, sendo um dos fatores primordiais, uma educação pública de qualidade (não com gastos exagerados, sem planejamento de ensino).
                No entanto, voltamos à discussão de projeto de governo, com planejamento a médio e a longo prazo. Sem um planejamento, as medidas imediatistas apenas corroboram para um declínio fiscal, e acabam enfraquecendo o poder estatal. As medidas de melhora do ensino e de administração pública sempre se demonstram eficientes tanto para a população, que se vê em condições melhores de vida, quanto na organização do governo, equilíbrio fiscal e equilíbrio de estado.
               

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